Esta constatação contrasta com a percepção dos decisores políticos, que consideram o envelhecimento demográfico como um desafio crucial. Para a maioria dos cidadãos, as pessoas com mais de 55 anos desempenham um papel essencial em áreas fundamentais da sociedade. Mais de 60% estão convictos de que devemos poder continuar a trabalhar após a idade da reforma e um terço afirma que eles próprios gostariam de prolongar a vida profissional. Um facto surpreendente é que, mais do que as gerações mais jovens, são as pessoas que mais próximas estão da reforma que tendem sobretudo a partilhar desta opinião.
László Andor, Comissário para o Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão, apresentou o inquérito, afirmando: «O inquérito Euro barómetro que hoje apresentamos revela que as pessoas estão dispostas a permanecer activas à medida que envelhecem. Estou confiante de que o Ano Europeu será instrumental para incentivar os cidadãos, as partes interessadas e os decisores políticos a agir para promover o envelhecimento activo e enfrentar os desafios do envelhecimento de forma positiva.»
O inquérito Euro barómetro abrange cinco áreas: percepções globais da idade e das pessoas mais velhas; as pessoas mais velhas no local de trabalho; reforma e pensões; trabalho voluntário e apoio às pessoas mais velhas num ambiente que lhes seja propício.
O inquérito demonstra como as definições de «jovem» e «velho» diferem significativamente consoante o país. Em Malta, Portugal e na Suécia, as pessoas com menos de 37 anos são consideradas jovens, enquanto em Chipre e na Grécia as pessoas são assim vistas até aos 50 anos. Em média, os europeus acreditam que começamos a ser considerados velhos pouco antes dos 64 anos e deixamos de ser considerados jovens por volta dos 41,8 anos. As percepções variam igualmente com a idade e o sexo – as mulheres acham que a velhice começa ligeiramente mais tarde do que os homens (65 contra 62,7 anos, respectivamente).
No que respeita ao emprego, apenas um em três europeus concorda com a ideia de que a idade de reforma deva ser aumentada até 2030, ainda que esta seja agora uma prioridade política clara em muitos Estados-Membros. Não obstante, a ideia de que as pessoas devem poder continuar a trabalhar uma vez chegadas à idade oficial de reforma reúne forte apoio (61%). 53% rejeitam a obrigatoriedade da idade de reforma, mas as variações são muito acentuadas consoante os Estados-Membros.
Ainda que a idade de reforma típica seja 65 anos, em 2009, a média de idade em que as pessoas abandonam a vida activa era de cerca de 61,5 anos. 42% dos europeus acreditam ser capazes de continuar a exercer a mesma actividade que exercem actualmente após os 65 anos, ao passo que 17% acham que não serão capazes de continuar no seu emprego actual até aos 60 anos. Um terço dos europeus afirma que gostaria de continuar a trabalhar após a idade de reforma e quase dois terços considera a ideia de conjugar o trabalho a tempo parcial e uma pensão também parcial mais atractiva do que a reforma completa.
O envelhecimento activo não se esgota no emprego. Cerca de um quarto dos europeus (incluindo os que têm mais de 55 anos) declaram exercer um trabalho voluntário. Em países onde a tradição de voluntariado está menos implantada, uma elevada proporção de pessoas declaram ter já ajudado ou prestado apoio a outras pessoas fora do seu agregado familiar. 36% dos europeus com mais de 55 anos prestaram um apoio deste tipo. 15% dos inquiridos com mais de 55 anos tomam conta de um familiar mais velho e 42% já o fizeram no passado.
Contexto
O Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre as Gerações 2012 procura sensibilizar chamar a atenção para o contributo das pessoas mais velhas para a sociedade e promover medidas que criem melhores oportunidades para essas pessoas se manterem activas.
O Ano Europeu 2012 abrange três dimensões do envelhecimento activo:
· O envelhecimento ativo no emprego. Incentivar os trabalhadores mais velhos a permanecer no mercado de trabalho exige, nomeadamente, a melhoria das condições de trabalho e a adaptação destas ao estado de saúde e às necessidades desses mesmos trabalhadores, bem como a actualização das suas competências através de um melhor acesso à aprendizagem ao longo da vida e da revisão dos sistemas fiscais e de prestações sociais, a fim de garantir a existência de incentivos eficazes ao prolongamento do tempo de trabalho.
· Participação na sociedade. Melhorar as oportunidades e as condições para que as pessoas mais velhas possam contribuir para a sociedade enquanto voluntários ou prestadores de cuidados a familiares e participar na sociedade, evitando assim sentimentos de isolamento social e muitos dos problemas e riscos que lhe estão associados.
· Vida independente. A promoção da saúde e os cuidados de saúde preventiva através de medidas que maximizem os anos de vida saudável e previnam a dependência, ao mesmo tempo que se torna o ambiente (edifícios públicos, infra-estruturas, transportes, edifícios) mais acessível, permitindo às pessoas mais velhas permaneceram o mais independentes possível.
O Ano Europeu visa encorajar todos os decisores políticos e partes interessadas a definirem compromissos específicos em matéria de envelhecimento activo e a agir no sentido de os concretizarem. Esses compromissos podem ser divulgados publicamente no sítio Web do Ano Europeu. As ações de comunicação com o público em geral, as partes interessadas, os decisores políticos e os jornalistas serão organizadas aos níveis nacional e europeu.